Bruxaria Sem Dogmas: Fadas, na Bruxaria Italiana, Fadas são Almas de Bruxos e Magos. O Altar.

sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Fadas, na Bruxaria Italiana, Fadas são Almas de Bruxos e Magos. O Altar.

 


Fadas são seres que dependendo da crença local têm diferentes essências. Muita gente coloca as fadas na categoria de seres elementais. Seres elementais não são almas humanas, não são Deuses, não são Anjos, não são Ninfas e não são Daemons, são uma outra categoria de Espíritos.

 

Já na Bruxaria Italiana Fadas são almas de Bruxos e Magos que morreram e hoje podem ser trabalhados como Espíritos Familiares por Bruxos e Magos atualmente vivos.

 

A compreensão sobre a natureza das fadas não é homogênea e varia profundamente conforme o recorte cultural e a tradição mágica analisada. Na visão mais disseminada pelo folclore moderno e por correntes espiritualistas ocidentais, as fadas são classificadas estritamente como seres elementais — inteligências sutis e não humanas que corporificam as forças puras da natureza (fogo, terra, ar e água). Como espíritos da natureza, essas entidades jamais vestiram a matéria humana, não possuem alma mortal e operam sob dinâmicas espirituais completamente alheias à nossa moral ou ciclo de reencarnações.

 

Em contrapartida, a Bruxaria Italiana (Stregheria) preserva uma concepção ancestral radicalmente diversa e de profunda raiz necromântica e animista. Nela, a palavra fada (originada do latim fata, associada ao destino e aos fados) não designa um elemental dos bosques, mas sim a alma purificada e exaltada de antigos bruxos, magas e ancestrais do ofício. Ao transcenderem a morte física, esses praticantes não se dissipam; tornam-se espíritos familiares e guias tutelares. Em vez de forças impessoais da natureza, as fadas da tradição italiana são consciências humanas ancestrais que mantêm um vínculo de aliança, proteção e transmissão de conhecimento com os praticantes vivos que honram sua memória e sua linhagem.

 

Obviamente, a Bruxaria Italiana traz como fundamento o paganismo romano de outrora.

 

As casas antigas romanas normalmente tinham uma capela particular que podia ter um guardião familiar. A Irlanda é famosa pelos seus banshees, uma fada aos prantos que se sentava num arbusto perto da porta da frente da casa e lamuriava alto quando um membro da família estava prestes a morrer. Se a família mudava de país, a banshee a acompanhava.

 

Na Itália, nós temos os Lares. Que são fadas que protegem a família. Muitas construções antigas guardam o espaço dos lares em suas construções. Esses lares são alimentados, geralmente com fava de feijão, água e vela. De Lares deriva a palavra lareira, que nos remete ao fogo. Na lareira era aonde Vesta era cultuada. Vesta é a Deusa romana da lareira, do fogo e da família. Temos sua contraparte helênica Héstia. Assim como Brigit, celta. Cultuar uma dessas divindades virginais que mantém uma chama perpétua e que protegem a família é bem recomendado para nós pagãos. Eu tenho em minha prática de bruxaria, a ideia da chama perpétua. Ela é mantida e refeita com as ceras que me sobram de velas. Como tenho prática romana, dedico minha chama a Vesta.

 

O altar é um acontecimento, um fenômeno, e ao mesmo tempo um instrumento universal tanto na magia quanto na religião.

 

Desde os cristãos, rosacruzes e até mesmo o budismo nipônico, passando pelos tradicionais altares católicos apostólicos romanos e mesmo dentro da magia de mão esquerda — a saber, no satanismo moderno —, o altar compõe uma presença indelével, constante e eternamente ressignificada.

 

Absolutamente qualquer pessoa pode montar o seu próprio altar, não sendo necessário que faça parte de uma comunidade religiosa específica, nem de uma corrente mágica assinalável definida. É possível, inclusive, que ela simplesmente monte um altar por motivos estéticos.

 

É também importante lembrar que não é necessário que os objetos, o espaço ou os elementos escolhidos para o altar sejam ambiciosos ou ostentem algum tipo de riqueza, porque o mais importante é a sua relação afetiva com o altar. No caso de ele ser usado por razões e motivações religiosas ou mágicas, o tempo de dedicação que você pode dar a ele.

 

Esse altar pode ser tanto um altar fixo, que traga elementos da sua escolha de determinado grupo ou egrégora, ou de uma forma mais caótica, reunindo elementos díspares de ambientes mágicos diversos; ou ele pode ser um altar móvel, um altar transitório que vai ser utilizado especificamente para uma prática mágica e desmontado na sequência para que seja feita uma outra prática.

 

Também é importante lembrar que você pode usar a sua intuição para decidir qual espaço da sua casa é mais adequado para montar o altar. Mas há sempre de se lembrar que há determinadas regras ou indivíduos que preferem dar visibilidade ao seu altar por questões de um certo otimismo mágico, ou mesmo por acreditar que esse seja o centro da casa em relação aos outros membros da família; outras pessoas preferem reservar esse ambiente na privacidade e na intimidade do seu quarto ou no espaço em que só elas têm acesso.

 

Então esse altar, independente da sua escolha, pode ser montado num nicho, numa prateleira, num pequeno espacinho do seu guarda-roupa... Enfim, não é necessário nada muito especial.

 

Mas a gente pode lembrar aqui que alguns elementos e simbolismos são praticamente ou totalmente universais do ponto de vista dos altares. Dentre as constantes que a gente pode encontrar na montagem de altares estão os simbolismos relacionados aos quatro elementos e aos cinco sentidos. Então é por isso que, independentemente da filiação, da afinidade religiosa, mágica ou estética, geralmente os altares são compostos por frutas, tochas, sinos e também por imagens votivas.

 

Como exemplo de montagem de altar, temos um Lararium, o tradicional altar doméstico do paganismo romano.

 

Os Lararia (ou altares domésticos romanos) podiam ser montados em quaisquer lugares da casa, sendo que as famílias mais abastadas tinham vários Lares espalhados por diversos cômodos de suas habitações: os maiores geralmente focados nos átrios de entrada e os menores em cada cômodo de relevo da casa. Mas mesmo as casas mais humildes, dispostas nas insulae (uma espécie de edifícios/condomínios dos mais pobres), eles colocavam geralmente na cozinha ou próximo de uma lareira.

 

O que é preciso para montar o Lararium? Você tem que ter uma certa preocupação: a primeira é cobrir a cabeça, pois antes de cada ato sacro romano de outrora, a sua cabeça era coberta. Inclusive essa prática acabou migrando para diversas religiões, como no caso do cristianismo, pelo hábito do padre romano cobrir a cabeça.

 

Purifique suas mãos com algum unguento para fortalecer o ato mágico, uma ablução das mãos, a parte corpórea que montará o Lararium. Como toda a montagem do altar deve ser feita com as mãos, e principalmente com a mão direita, você deve realizar a ablução das mãos, principalmente da mão direita, que será aquela que montará o Lararium.

 

Agora procederemos para os itens indispensáveis a todo altar ou ao Lararium na Roma de outrora. É válido dizer que a função primeira do Lararium era a criação do altar no ambiente doméstico onde não só se louvasse os Deuses dentro do seu lar e de sua propriedade, mas também no sentido de louvar os Lares, que eram, na época da República e nas origens da República, os teus antepassados: aqueles que criaram a propriedade e a casa em que tu vives, e que também protegem essa casa contra espíritos do além que habitam aquela propriedade.

 

Obviamente que, com o avanço e a complexidade da Roma Imperial, famílias abastadas começaram a entender como Lares até mesmo heróis da mitologia, colocando-os como seus antepassados.

 

Vamos então aos elementos que colocaremos em nosso Lararium:

 

Guttus: O guttus será aquele que conterá as libações, geralmente feitas com vinho ou leite.

 

Lucerna: A lucerna é o local onde será colocado o fogo sagrado. Você pode usar uma lucerna tradicional, mas um candelabro pode bastar.

 

Terra: A terra é onde efetivamente são feitas as oferendas (geralmente flores, folhas) ou onde pode se verter o vinho ou o leite.

 

Sal: O sal sempre foi considerado como tendo uma propriedade curativa vinda direto da natureza e também para purificação. O ideal é que seja sal grosso ou sal marinho, mas na ausência dele, o sal iodado comum serve.

 

Thuriibulum e Incenso: Em alguns altares dos mais antigos não havia essa combinação dos três elementos: o turibulum (onde se queima o incenso) e o incenso propriamente dito. Mas por critérios de facilidade, no fim da Roma Imperial eles foram integrados.

 

Representação dos Lares: Uma representação dos Lares que pode ser praticamente qualquer coisa. Você pode usar bonecos que eram muito comuns na época da Roma Imperial, mas hoje em dia podemos usar fotos dos nossos antepassados. E se fores muito preciosista (como na Roma Republicana), máscaras mortuárias dos seus antepassados, ou ainda imagens que evoquem estes antepassados (como, por exemplo, se ele era do signo de Áries, o crânio de um carneiro; ou se exercia a função de magistrado, a imagem de uma balança).

 

Pois bem, montado o seu Lararium (que geralmente tem uma função relativamente constante no local em que tu o montarás, mas também pode ser temporário), ele é um instrumento que deve dedicar um tanto de sua atenção diária.

 

YURI KARKLIN - SACERDOTE HÁ 14 ANOS DE BRUXARIA

BRUXARIA SEM DOGMAS HÁ 11 ANOS

 

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