Fadas são seres que dependendo da crença local têm
diferentes essências. Muita gente coloca as fadas na categoria de seres
elementais. Seres elementais não são almas humanas, não são Deuses, não são
Anjos, não são Ninfas e não são Daemons, são uma outra categoria de Espíritos.
Já na Bruxaria Italiana Fadas são almas de Bruxos e Magos que morreram e hoje podem ser trabalhados como Espíritos Familiares por Bruxos e Magos atualmente vivos.
A compreensão sobre a natureza das fadas não é homogênea e
varia profundamente conforme o recorte cultural e a tradição mágica analisada.
Na visão mais disseminada pelo folclore moderno e por correntes espiritualistas
ocidentais, as fadas são classificadas estritamente como seres elementais —
inteligências sutis e não humanas que corporificam as forças puras da natureza
(fogo, terra, ar e água). Como espíritos da natureza, essas entidades jamais
vestiram a matéria humana, não possuem alma mortal e operam sob dinâmicas
espirituais completamente alheias à nossa moral ou ciclo de reencarnações.
Em contrapartida, a Bruxaria Italiana (Stregheria) preserva
uma concepção ancestral radicalmente diversa e de profunda raiz necromântica e
animista. Nela, a palavra fada (originada do latim fata, associada ao destino e
aos fados) não designa um elemental dos bosques, mas sim a alma purificada e
exaltada de antigos bruxos, magas e ancestrais do ofício. Ao transcenderem a
morte física, esses praticantes não se dissipam; tornam-se espíritos familiares
e guias tutelares. Em vez de forças impessoais da natureza, as fadas da
tradição italiana são consciências humanas ancestrais que mantêm um vínculo de
aliança, proteção e transmissão de conhecimento com os praticantes vivos que
honram sua memória e sua linhagem.
Obviamente, a Bruxaria Italiana traz como fundamento o
paganismo romano de outrora.
As casas antigas romanas normalmente tinham uma capela
particular que podia ter um guardião familiar. A Irlanda é famosa pelos seus
banshees, uma fada aos prantos que se sentava num arbusto perto da porta da
frente da casa e lamuriava alto quando um membro da família estava prestes a
morrer. Se a família mudava de país, a banshee a acompanhava.
Na Itália, nós temos os Lares. Que são fadas que protegem a
família. Muitas construções antigas guardam o espaço dos lares em suas
construções. Esses lares são alimentados, geralmente com fava de feijão, água e
vela. De Lares deriva a palavra lareira, que nos remete ao fogo. Na lareira era
aonde Vesta era cultuada. Vesta é a Deusa romana da lareira, do fogo e da
família. Temos sua contraparte helênica Héstia. Assim como Brigit, celta.
Cultuar uma dessas divindades virginais que mantém uma chama perpétua e que
protegem a família é bem recomendado para nós pagãos. Eu tenho em minha prática
de bruxaria, a ideia da chama perpétua. Ela é mantida e refeita com as ceras
que me sobram de velas. Como tenho prática romana, dedico minha chama a Vesta.
O altar é um acontecimento, um fenômeno, e ao mesmo tempo
um instrumento universal tanto na magia quanto na religião.
Desde os cristãos, rosacruzes e até mesmo o budismo
nipônico, passando pelos tradicionais altares católicos apostólicos romanos e
mesmo dentro da magia de mão esquerda — a saber, no satanismo moderno —, o
altar compõe uma presença indelével, constante e eternamente ressignificada.
Absolutamente qualquer pessoa pode montar o seu próprio
altar, não sendo necessário que faça parte de uma comunidade religiosa
específica, nem de uma corrente mágica assinalável definida. É possível,
inclusive, que ela simplesmente monte um altar por motivos estéticos.
É também importante lembrar que não é necessário que os
objetos, o espaço ou os elementos escolhidos para o altar sejam ambiciosos ou
ostentem algum tipo de riqueza, porque o mais importante é a sua relação
afetiva com o altar. No caso de ele ser usado por razões e motivações
religiosas ou mágicas, o tempo de dedicação que você pode dar a ele.
Esse altar pode ser tanto um altar fixo, que traga
elementos da sua escolha de determinado grupo ou egrégora, ou de uma forma mais
caótica, reunindo elementos díspares de ambientes mágicos diversos; ou ele pode
ser um altar móvel, um altar transitório que vai ser utilizado especificamente
para uma prática mágica e desmontado na sequência para que seja feita uma outra
prática.
Também é importante lembrar que você pode usar a sua
intuição para decidir qual espaço da sua casa é mais adequado para montar o
altar. Mas há sempre de se lembrar que há determinadas regras ou indivíduos que
preferem dar visibilidade ao seu altar por questões de um certo otimismo
mágico, ou mesmo por acreditar que esse seja o centro da casa em relação aos
outros membros da família; outras pessoas preferem reservar esse ambiente na
privacidade e na intimidade do seu quarto ou no espaço em que só elas têm acesso.
Então esse altar, independente da sua escolha, pode ser
montado num nicho, numa prateleira, num pequeno espacinho do seu
guarda-roupa... Enfim, não é necessário nada muito especial.
Mas a gente pode lembrar aqui que alguns elementos e
simbolismos são praticamente ou totalmente universais do ponto de vista dos
altares. Dentre as constantes que a gente pode encontrar na montagem de altares
estão os simbolismos relacionados aos quatro elementos e aos cinco sentidos.
Então é por isso que, independentemente da filiação, da afinidade religiosa,
mágica ou estética, geralmente os altares são compostos por frutas, tochas,
sinos e também por imagens votivas.
Como exemplo de montagem de altar, temos um Lararium, o
tradicional altar doméstico do paganismo romano.
Os Lararia (ou altares domésticos romanos) podiam ser
montados em quaisquer lugares da casa, sendo que as famílias mais abastadas
tinham vários Lares espalhados por diversos cômodos de suas habitações: os
maiores geralmente focados nos átrios de entrada e os menores em cada cômodo de
relevo da casa. Mas mesmo as casas mais humildes, dispostas nas insulae (uma
espécie de edifícios/condomínios dos mais pobres), eles colocavam geralmente na
cozinha ou próximo de uma lareira.
O que é preciso para montar o Lararium? Você tem que ter
uma certa preocupação: a primeira é cobrir a cabeça, pois antes de cada ato
sacro romano de outrora, a sua cabeça era coberta. Inclusive essa prática
acabou migrando para diversas religiões, como no caso do cristianismo, pelo
hábito do padre romano cobrir a cabeça.
Purifique suas mãos com algum unguento para fortalecer o
ato mágico, uma ablução das mãos, a parte corpórea que montará o Lararium. Como
toda a montagem do altar deve ser feita com as mãos, e principalmente com a mão
direita, você deve realizar a ablução das mãos, principalmente da mão direita,
que será aquela que montará o Lararium.
Agora procederemos para os itens indispensáveis a todo
altar ou ao Lararium na Roma de outrora. É válido dizer que a função primeira
do Lararium era a criação do altar no ambiente doméstico onde não só se
louvasse os Deuses dentro do seu lar e de sua propriedade, mas também no
sentido de louvar os Lares, que eram, na época da República e nas origens da
República, os teus antepassados: aqueles que criaram a propriedade e a casa em
que tu vives, e que também protegem essa casa contra espíritos do além que habitam
aquela propriedade.
Obviamente que, com o avanço e a complexidade da Roma
Imperial, famílias abastadas começaram a entender como Lares até mesmo heróis
da mitologia, colocando-os como seus antepassados.
Vamos então aos elementos que colocaremos em nosso
Lararium:
Guttus: O guttus será aquele que conterá as libações,
geralmente feitas com vinho ou leite.
Lucerna: A lucerna é o local onde será colocado o fogo
sagrado. Você pode usar uma lucerna tradicional, mas um candelabro pode bastar.
Terra: A terra é onde efetivamente são feitas as oferendas
(geralmente flores, folhas) ou onde pode se verter o vinho ou o leite.
Sal: O sal sempre foi considerado como tendo uma
propriedade curativa vinda direto da natureza e também para purificação. O
ideal é que seja sal grosso ou sal marinho, mas na ausência dele, o sal iodado
comum serve.
Thuriibulum e Incenso: Em alguns altares dos mais antigos
não havia essa combinação dos três elementos: o turibulum (onde se queima o
incenso) e o incenso propriamente dito. Mas por critérios de facilidade, no fim
da Roma Imperial eles foram integrados.
Representação dos Lares: Uma representação dos Lares que
pode ser praticamente qualquer coisa. Você pode usar bonecos que eram muito
comuns na época da Roma Imperial, mas hoje em dia podemos usar fotos dos nossos
antepassados. E se fores muito preciosista (como na Roma Republicana), máscaras
mortuárias dos seus antepassados, ou ainda imagens que evoquem estes
antepassados (como, por exemplo, se ele era do signo de Áries, o crânio de um
carneiro; ou se exercia a função de magistrado, a imagem de uma balança).
Pois bem, montado o seu Lararium (que geralmente tem uma
função relativamente constante no local em que tu o montarás, mas também pode
ser temporário), ele é um instrumento que deve dedicar um tanto de sua atenção
diária.
YURI KARKLIN - SACERDOTE HÁ 14 ANOS DE BRUXARIA
BRUXARIA SEM DOGMAS HÁ 11 ANOS
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